Avanços da perícia criminal no Maranhão

Editorial JP, 16 de dezembro

Já faz tempo que profissionais capacitados nas técnicas de biologia molecular e de histopatologia, tanto para perícias criminais quanto para cíveis, veem conseguindo destaque na área forense, mais especificamente na aplicação das ciências biológicas para o esclarecimento de crimes pela Justiça. No Maranhão, recentemente, foi inaugurado o Instituto de Genética Forense, que atende a uma área da ciência que trata dos conhecimentos e das técnicas de genética e de biologia molecular, especialmente a identificação humana pelo DNA.

Este avanço encontrou o Dr. Miguel Alves da Silva Neto, perito criminal atuando a 18 anos no Maranhão, na condição de superintendente de Polícia Técnico- Científica. Ele lembra que no Maranhão, à essa época, só existiam o Instituto de Criminalística, o Instituto Médico Legal e o Instituto de Identificação, sediados em São Luís, uma estrutura que se mantinha desde a década de 70. Por conta do caso dos meninos emasculados, no ano de 1988, foi criado, por exigência da Organização dos Estados Americanos (OEA), o Centro de Perícias para Crianças e Adolescentes, o primeiro avanço real da perícia criminal no Maranhão.

No ano de 2007, na gestão do hoje secretário Jefferson Portela como delegado geral,  o IML e o Icrim foram inaugurados  em Timon. Somente em 2015, o Maranhão recebeu o Instituto Laboratorial de Análise Forense e o Instituto de Genética Forense, ambos, hoje, em pleno funcionamento.

Na visão do superintendente de Polícia Técnico-Científica, Miguel Alves da Silva Neto, o IGF é o grande diferencial no avanço da perícia criminal, pois até então todos os exames relativos eram feitos através de parcerias com os estados do Amapá, Pernambuco e Bahia e os resultados poderiam demorar de 3 a 6 meses para chegar ao Maranhão. Hoje, todos os testes e exames são feitos aqui mesmo e seus resultados apresentados em 15 dias, através do trabalho de uma equipe cuja capacitação é a mesma dos melhores institutos do país.

Houve, assim, além da evidente melhora na estrutura administrativa, o aperfeiçoamento de todos os procedimentos operacionais. Conforme o Dr. Miguel Alves, o objetivo é alcançar o mesmo nível dos principais órgãos periciais do país. Como exemplo da efetividade da perícia criminal nos dias de hoje no Maranhão, o superintendente Miguel Alves citou o caso do crime cometido contra Mariana Sarney Costa, neta do senador José Sarney, cuja autoria ficou comprovada cientificamente pelo Instituto de Genética Forense.

Já está na pauta da Secretaria de Segurança, aguardando pela implantação, a Central de Custódia de Vestígios que mais conhecimentos e técnicas de genética para identificação humana acrescentará nas investigações da polícia e em auxílio à Justiça.