Polícia Civil elucida crime da morte de empresário

As investigações para identificar e prender os mandantes e os executores do empresário Marggion Lanyere Ferreira Andrade, 45 anos, assassinado com um tiro na nuca, dia 14 deste mês, no Bairro do Araçagi, chegou ao fim. Na manhã de terça- feira (25), o secretário de Estado de Segurança Pública, Aluisio Mendes, acompanhado do secretário-adjunto de Inteligência e Assuntos Estratégicos, Laercio Costa; do superintendente de Polícia Civil da Capital, delegado Sebastião Uchoa e do delegado Carlos Alberto Damasceno, que presidiu o inquérito, em entrevista coletiva na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), apresentaram o homem suspeito de ser o executor do empresário.

Alex Nascimento de Sousa, que é ex-presidiário, foi localizado por policiais da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC) em uma quitinete, no Conjunto do São Raimundo, na noite do dia 24. Além de Alex, foi apresentado, ainda, o caseiro do terreno, onde o empresário foi encontrado enterrado em uma cova rasa, Roubert Sousa dos Santos, 19 anos e um adolescente que, também, estaria no local do crime e deverá cumprir medidas socioeducativas.

De acordo com Aluísio Mendes, a prisão do executor desestabiliza um grupo especializado em vendas ilegal de terrenos. “Estamos apresentando o resultado das investigações de um crime que chocou a população. Não restam dúvidas com provas levantadas pela Polícia Civil da autoria do crime. Vamos, agora, em parceria com outros órgãos, montar uma força tarefa para desvendar os crimes que estão relacionados a grilagem no Maranhão”, contou.

O inquérito policial comprovou que o crime foi motivado por questões de grilagem. Neste tipo de prática, um corretor vende um terreno utilizando documentos falsos para terceiros. Segundo as investigações, o corretor de imóveis, Elias Orlando Nunes Filho, 45 anos, utilizando essas práticas teria vendido o terreno do empresário assassinado e exigindo por meios de ameaças a saída dele da área. O inquérito, ainda, aponta, de acordo com o depoimento dos três detidos, que o corretor foi o autor intelectual do crime. Além dele, a polícia acredita no envolvimento do vereador do município de Paço do Lumiar, Edson Arouche Júnior, conhecido como Júnior Mojó (PSL), 42 anos, como também integrante do bando que queria tomar o terreno no empresário assassinado.

Segundo o superintendente Sebastião Uchoa, logo no início das investigações a polícia já tinha convicção de que se tratava de um crime por encomenda. “Horas depois já descartamos a possibilidade de latrocínio. Essa comprovação foi feita quando estivemos no local do homicídio e utilizamos uma técnica de polícia e descobrimos que as características não eram de um roubo seguido de morte. A partir daí, o rumo das investigações era descobrir quem tinha premeditado o crime”, explicou o delegado.

Ainda, de acordo com o superintendente, durante o depoimento, Alex delatou como funcionou toda a organização para assassinar o empresário. Para a polícia, Alex Nascimento disse que a morte foi mesmo encomendada pelo corretor. Em depoimento, o ex-presidiário confirmou que o empresário foi atingido no momento em que levava café da manhã ao caseiro. Após ser alvejado com o tiro na nuca, ele teria sido enterrado na cova que já havia sido feita pelos três envolvimentos.

Crimes antigos

Durante a coletiva, o delegado Carlos Alberto Damasceno, supervisor do Centro Integrado de Defesa Social (Cids), da área Norte e que presidiu o inquérito, afirmou que as fraudes começaram em 1980. Em uma das fraudes, uma área de mil lotes foi vendida irregularmente. Segundo o delegado, as investigações apontarão outros envolvidos.

“Sobre o homicídio do empresário concluímos as investigações. Porém como há indícios do envolvimento de outras pessoas no esquema fraudulento da venda de terra, outros inquéritos serão instaurados. Vamos descobrir quem faz desde a produção, confecção e venda destas escrituras. O envolvimento de outras imobiliárias também será investigado”, relatou.

O delegado ressaltou que a morte do empresário seria utilizada para amedrontar os proprietários que tentassem se confrontar com o esquema criminoso. Segundo ele, com o trabalho da polícia foi possível desvendar esse crime e combater este tipo de prática na cidade.

Os acusados serão indiciados por homicídio triplamente qualificado, sem possibilidade de defesa da vítima, além de terem ocultado o cadáver para impedir a identificação da autoria. Além destes, o corretor e o vereador serão indicados por formação de quadrilha e estelionato. A polícia representará junto a Comarca de São José de Ribamar pedindo a prisão preventiva de todos os envolvidos no assassinato. Alex Nascimento foi levado para o Centro de Triagem e Roubert Sousa será levado para um Distrito Policial. A medida é para garantir a integridade física do suspeito.